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Bom dia, meus passarinhos!

Rio, 1 de março de 1937
 
Meus queridos alunos da Escola Regional de Meriti. Como não posso ir hoje até ahi para receber vocês todos no dia da reabertura da nossa escola, ao menos em pensamento quero estar perto de vocês.
 
Sei que D. Zulmira e D. Dulce vão fazer tudo para que vocês não sintam a minha falta. E sei que vocês também vão fazer um esforço muito grande para trabalhar, para estudar, para brincar, para viver na escola como se eu fosse aparecer de um momento para outro e abrir os braços, dizendo o que sempre digo quando chego aí: bom dia, meus passarinhos!
 
Meus queridos alunos: não há de custar muito a chegar o dia em que vocês vão me ver de novo. Enquanto esse dia não chega, quero ter a certeza de que vocês se lembram de mim: quero receber cadernos com exercícios bem feitos por vocês, todas as vezes que o professor Edgar for dar aula aí.
 
Lembrem-se mais uma vez de que em nossa escola todos os alunos são irmãos, brancos, pretos e mulatos: quero ver todos juntos, ajudando-se um ao outro, brincando sem brigar.
 
Tudo o que vocês quiserem de mim, é só pedir por carta, que para vocês faço com alegria o que é possível fazer. Que cada semana, um aluno, ou mais de um, me escreva, contando tudo o que se passa aí: excursões, jogos, comissão de cada um, doenças etc.
 
Escutem: organizem as comissões de trabalho muito direitinho, por eleição. Só podem votar os alunos de 10 anos em diante. Os menores podem ser votados, porem não podem votar. Muito cuidado com o Museu, com os livros, com a vitrola. E o nosso jardim? As nossas árvores de frutas? as nossas flores?
 
Para as mães do Circulo de Mães e para todas as mães dos meus alunos, mando um abraço de amiga.

Para vocês, minhas crianças, todo o carinho de sua professora muito amiga
 
                          Armanda

Carta enviada por D. Armanda Álvaro Alberto da prisão política na Enfermaria da Casa de Correção para ser lida aos alunos no primeiro dia de aula no ano de 1937.
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Viajando pelo Passado

Uma das atividades preferidas nas férias é, sem dúvida, viajar. E por que não viajarmos então pela história de nossa escola através de fotos? Preparados? Aproveitem e divirtam-se!





















Fotos do acervo PROEDES/UFRJ.
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Angu Mata, Mata Mate

Janeiro, as aulas só voltarão mês que vem, mas isso não impede que tenhamos um pequeno "Especial de Férias". Para começarmos que tal uma poesia feita em homenagem à Dona Armanda e nossa escola?

Angu Mata, Mata Mate

 Dona Armanda há muitos anos
Nem tentou pestanejar
Com beleza e leveza
nos ensinou a educar.
Mata mate.
Mate mata
a sede dos meus "passarinhos".
Enquanto os torno sedentos
de saber, amor e carinho.
Angu mata,
mate angu
A angústia deste meu povo
para eu ver resplandecer,
em sua face de novo,
um brilho angustiante
nos que não deixam brotar
nem que por um instante
a vontade de sonhar.


 Infelizmente não sabemos nem quando e nem quem escreveu a poesia "Angu Mata, Mata Mate" que agora consta do acervo sobre a Escola Dr. Álvaro Alberto no CEPEMHED, mas isso não nos impede de apreciá-la, não é?
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90 Anos

No último dia 23 de setembro, foi comemorado o aniversário de 90 anos de nossa escola.

A festa contou com a participação da comunidade escolar, além de antigos alunos e professores e também com as antigas diretoras Martha Rossi e Iracema Medeiros, a escritora e ex-aluna Dalva Lazaronni, o colaborador Mario Way, o deputado federal Áureo, a deputada Andréa Zito e a Secretária de Educação do nosso município Roberta Barreto.
A diretora Frida Martins, a ex-diretora Martha Rossi e a Secretária de Educação Roberta Barreto

Após apresentações de dança e teatro pelos alunos e de agradecimento ao Corpo de Fuzileiros Navais que em muito tem ajudado nossa escola (saiba mais aqui), o público presente pode apreciar a exposição dos trabalhos realizados pelas turmas e a reinauguração do Museu Escolar, agora situado no Salão Nobre.
Alunas em apresentação de dança

Apresentação da peça sobre a fundadora da escola, D. Armanda Álvaro Alberto

Reinauguração do Museu Escolar

Para encerrar, foi servido um pequeno coquetel aos convidados com direito ao tradicional "Parabéns pra Você" e bolo.
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Saiu no Portal da Prefeitura

Com o título "Dr. Álvaro Alberto, pioneira na merenda escolar, faz 90 anos" o portal da Prefeitura de Duque de Caxias noticiou a festa de aniversário ocorrida na última sexta feira dia 23/09 em nossa escola.

Você pode conferir a notícia completa aqui.

Em breve postaremos a notícia completa da festa de 90 anos de nossa escola aqui no blog. Aguardem!
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Livro da Dona Armanda

Ainda nos primeiros anos após a fundação da Escola Proletária de Meriti, Armanda Álvaro Alberto já demonstrava a preocupação em registrar o cotidiano escolar. Talvez na época não se desse conta da importância daquele ato...

Livro D Armanda
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Imagens: Acervo PROEDES/UFRJ
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Tentativa de Escola Moderna

“Eram propósitos, ao fundar-se a então Escola Proletária de Meriti, continuar o que fora interrompido em Angra: um ensaio de escola moderna, regional.

Não tendo sob os olhos nenhum modelo a seguir, foi inaugurada em 13 de fevereiro de 1921, sem um só programa escrito; tomou desde o começo, no entanto, a feição de um lar escola, embora externato, com número limitado de alunos, a quem não se dão notas, prêmios ou castigos. A orientação geral apresentava-se resumida em quatro cartazes com os dizeres: Saúde, Alegria, Trabalho e Solidariedade. Juntamente com a Escola, considerada anexo indispensável, inaugurava-se a Biblioteca Euclides da Cunha, repartida em três seções: para alunos, professores e moradores de Meriti. Um museu escolar foi-se logo organizando, em parte com as contribuições trazidas pelos próprios alunos, da natureza local. Muito naturalmente, as funções domésticas, mais as de auxiliar da Biblioteca e do Museu, e outras que a vida do estabelecimento ia exigindo, foram sendo exercidas pelas crianças. Nunca tivemos um servente ou outro empregado para tais misteres.

Se a feição de escola-casa de família, baseada na liberdade, no trabalho individual, nos hábitos de saúde, na alegria com que se desempenham as funções domésticas, se essa face evidenciou-se desde os primeiros dias, a outra, de ação na vida local, direta, essa foi surgindo à partir do 3º ano de existência da Escola, com o 1º concurso de “Janelas Floridas” em 1923. [...] Combater a fealdade e o desconforto de Meriti, dar-lhe a alegria das flores e a sombra das árvores, tais são os fins visados pela iniciativa da escola. A princípio só os alunos floriram suas janelas; depois a população foi concorrendo também [...]. Na mesma ordem de idéias instituiu-se o “Concurso de Criação”. 

Que saibamos, coube à Escola Regional a fundação do primeiro “Circulo de Mães” entre nós, o qual, como as outras afirmações de sua atividade, foi-se esboçando desde os primeiros tempos, para afinal surgir em hora oportuna. Daí sua eficácia. Tem dois anos e meio de funcionamento, com programa especialmente traçado para aquelas mães, analfabetas e sua maioria; higiene, educação familiar e economia doméstica são as três partes do programa destinado a preparar a cooperação, que sonhamos, das famílias com a Escola.

Dentre as campanhas em que se tem empenhado a Escola em favor da comunidade, certo a do saneamento é a mais importante. Este ano satisfez-nos essa aspiração – a maior do povo Meritiense – a Diretoria de Saneamento Rural.

Mandamos às famílias boletins mensais, comunicando todas as atividades do aluno, os exames de saúde, os atos de bondade que praticou (se os praticou), seguindo o seu desenvolvimento, sem compará-lo ao dos companheiros. Nada que se pareça com notas, pelo contrário; estimulamos em cada um a auto-crítica, desejosos antes de tudo, de favorecer a formação de homens e mulheres fortes.

A escola, em seus primeiros tempos, foi mantida exclusivamente pela firma F. Venâncio & Cia., fabricantes do explosivo Rupturita, em Meriti. Decorrido um ano e pouco, em 1922, modificamos nosso plano inicial, fundando uma caixa escolar, para qual os moradores de Meriti poderiam também contribuir. Passados outros dois anos, em 1924, o desenvolvimento da caixa era tal, que resolvemos transformá-la em Fundação Dr. Álvaro Alberto, agora com três seções: Escola Regional de Meriti, Biblioteca Euclides da Cunha e Museu Regional de Meriti, as duas últimas destinadas a auxiliar a primeira e a espalhar um pouco de cultura entre os adultos.

Seria injusto atribuir-se a uma só vontade o esforço de que resulta nossa Escola.

Os nomes de Francisco Venâncio Filho, Edgar Süssekind de Mendonça, Belisário Pena, Heitor Lyra e Otávio Veiga, colaboradores no passado e no presente, a ela estão ligadas pelo muito que deve a cada um.

Os métodos de educação, venham eles da Suíça, dos Estados Unidos, da Itália, desde que se baseiem na liberdade, que consente a plena expansão da individualidade, e no trabalho, que leva a criança a observar, a experimentar, a descobrir e a fazer por si – são os únicos dignos de serem adotados hoje em dia.

A escola primária tem que ser regional, o que não a impede de ser brasileira. Tanto melhor reagirá sobre o seu meio, quanto mais adaptada lhe estiver.

A cooperação da família na obra da escola é indispensável. Em cada escola deve existir um Círculo de Mães, que as prepare convenientemente.

Sem a iniciativa particular, o Brasil não resolverá tão cedo o problema da educação do seu povo, simplesmente porque faltam à União e aos Estados os recursos financeiros suficientes. A Escola Regional de Meriti tem por máxima aspiração ser reproduzida em todo o país.”

Armanda Álvaro Alberto

Tese aprovada para a 1ª Conferência Nacional de Educação; Curitiba/dezembro de 1927. Publicada no Jornal do Comércio em 15 de abril de 1928
* Texto editado para postagem.
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